domingo, 22 de janeiro de 2012

REFLEXÃO FINAL DE ESTÁGIO



No âmbito da Unidade Curricular, Estágio de Aprendizagem III, inserida no 1º Semestre do 4º Ano do II Curso de Saúde Ambiental, da Escola Superior de Saúde de Beja, realizei ao longo de nove semanas o estágio numa Unidade de Saúde Pública do país.

 Esta fase do curso foi sem duvida uma das mais interessantes e benéficas, pois tive a oportunidade de colocar em prática grande parte dos conhecimentos que adquiri ao longo do curso.

No estágio tive a possibilidade de intervir nas diversas áreas da Saúde Ambiental, onde destaco a vigilância sanitária das águas, vistorias para licenciamento de estabelecimentos e a Segurança Alimentar como as que mais gostei de intervir.

Durante este percurso deparei-me com algumas dificuldades, mas nunca foi nada de inultrapassável pois, com o trabalho conjunto realizado com a minha colega de curso Paula Bravo, com a qual tive o privilégio de realizar o estágio, com o encaminhamento, apoio e ajuda dados pelo professor orientador de estágio e pelos vários profissionais que integram a unidade da saúde, todos os obstáculos foram superados e os meus conhecimentos consolidados.

Não poderei deixar de referenciar um dos factores mais influentes, senão o mais influente nesta experiência tão enriquecedora, como foi o facto de encontrar um ambiente familiar e profissional excepcional dentro da instituição, onde todos os profissionais me acolheram com grande respeito e carinho.

No entanto quero deixar um agradecimento especial à minha orientadora de estágio que, através dos seus conhecimentos, da sua dedicação e do tempo que disponibilizou, contribuiu fortemente para que mais esta etapa na minha vida fosse concluída com sucesso.

Em relação ao que resta do meu percurso académico já há muito sabia que a Saúde Ambiental foi a escolha certa, passada esta experiência estou seguro de que quero ser Técnico de Saúde Ambiental no futuro.  

É com uma enorme gratidão, amizade e muita saudade que escrevo estas palavras… o estágio de Aprendizagem III chegou ao fim.
David Ralha


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SEMANAS DE 9 A 20 DE JANEIRO DE 2012



         Está a aproximar-se o final de mais uma etapa ao longo do curso, o estágio na Unidade de Saúde Pública (USP) está na fase final, estas últimas semanas para além de outras actividades foram dedicadas à organização da legislação utilizada pelos serviços.


Criação de uma Base de Dados para Legislação

            A legislação é uma ferramenta essencial para o exercício da actividade do Técnico de Saúde Ambiental (TSA), como tal ao longo da semana na companhia da minha colega e orientadora de estágio, procedemos à organização da legislação pela qual se regem as actividades dos TSA existentes nesta USP.

            A organização desta documentação está a ser efectuada através da criação de uma Base de Dados (BD) em Excel, onde serão introduzidos todos os documentos jurídicos em vigor e posteriormente serão arquivados em formato de papel em pastas de arquivo. Na sequência desta tarefa aproveitamos para eliminar todos os diplomas que já não se aplicam.

            A BD é composta por vários campos (Designação do Doc., Âmbito, Especialidade, Categoria, Localização/Pasta e Data), onde os respectivos dados irão ser introduzidos.
            Depois dos dados introduzidos na BD e através da criação de “Filtros” na folha de cálculo Excel, esta irá permitir agrupar e pesquisar a informação de variadas formas, permitindo aceder à legislação a aplicar de forma mais rápida e eficaz.
  
 Exemplo:


















Legenda:


            No desenvolver deste trabalho senti algumas dificuldades, pois os TSA intervêm em diversas áreas, onde todas têm como suporte a legislação o que acaba por originar uma enorme quantidade de documentação, que por sua vez na maioria dos casos é de difícil interpretação.

            Partilhamos da opinião que os TSA muitas das vezes não têm meios e conhecimentos que permitam obter de forma rápida a informação correcta do estado de vigência dos documentos.

            Como tal, na minha opinião os TSA que integram as USP´s deveriam ter apoio através de um gabinete jurídico, onde existem profissionais nesta área que certamente iriam ajudar na interpretação e na obtenção da legislação actual com outra convicção e rapidez, o que iria sem dúvida diminuir o tempo de resposta dos serviços no que respeita a outras tarefas.



Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas (PCTEA) – Módulo Frio.
           
            No presente ano e de acordo com as orientações divulgadas pela Direcção Geral de Saúde será necessário adaptar o Plano de Contingência Regional para as Ondas de Calor (PCOC), no sentido de abranger também os períodos de frio intenso e desta forma, assegurar uma vigilância continuada ao longo do ano, com especial incidência nos períodos com maior probabilidade de ocorrência de temperaturas extremas com impactes negativos para a saúde humana.

Assim, o anterior PCOC foi adaptado e passou a designar-se Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas (PCTEA)  com dois módulos distintos: o Módulo Calor, que incide sobre o período Primavera-Verão; e, o Módulo Frio, que incide sobre o período Outono-Inverno.

O Plano de Contingência para as Temperaturas Extremas Adversas – MÓDULO FRIO, adiante designado PCTEA - MÓDULO FRIO, pretende prolongar o sistema existente de vigilância e monitorização da temperatura do ar, com vista a activar ALERTAS sempre que haja risco para a saúde da população. A activação do MÓDULO FRIO, este ano vai estar vigente no período outono/inverno, entre 15 de Novembro a 31 de Março.

A exposição ao frio pode ter consequências graves para a saúde da população. Quando ocorre uma vaga de frio, ou seja, uma redução significativa e repentina da temperatura diária a probabilidade de ocorrerem consequências graves para a saúde da população aumenta.

A hipotermia e o enregelamento são consequências graves e comuns associadas à exposição ao frio:

  • A hipotermia acontece quando o calor perdido pelo organismo é superior ao produzido. Os sinais e sintomas associados à hipotermia diferem em adultos e crianças. Nos adultos, é frequente o cansaço/exaustão, sonolência e alterações da memória e do discurso. Nas crianças são mais frequentes as alterações da cor e da temperatura da pele, a irritabilidade e ausência de energia;
  • O enregelamento é definido como uma situação resultante da exposição excessiva ao frio, com sensação de formigueiro e adormecimento das extremidades (pés, mãos, orelhas, nariz) que, no limite, pode estar na origem de danos permanentes. Os sinais e sintomas associados ao enregelamento são: arrepios, sensação de formigueiro nas extremidades do corpo, pele branca ou cinzento-amarelada, insensibilidade à dor e cãibras.

O frio é também responsável pelo agravamento de doenças, sobretudo respiratórias e cardíacas.

Os grupos mais vulneráveis ao frio são:

  • Bebés e recém-nascidos, sobretudo estes últimos;
  • Crianças e adultos com doenças crónicas (asma, diabetes, bronquite, doenças cardíacas, doenças reumáticas e doenças da tiróide);
  • Pessoas com perturbações da memória, problemas de saúde mental, alcoolismo ou demência;
  • Pessoas que tomam certos medicamentos como psicotrópicos ou anti-inflamatórios;
  • Pessoas com redução da mobilidade, e aquelas com dificuldade na realização das actividades da vida diária;
  • Idosos, sobretudo aqueles que estão mais isolados;
  • Pessoas sem-abrigo e pessoas em situação de exclusão social.

Fonte: Portal.arsnorte.min-saude.pt


  
As temperaturas extremas adversas, neste caso o frio provocam graves problemas de saúde na população portuguesa mais precisamente nas pessoas mais vulneráveis, situação que todos se apercebem com a pequena abordagem efectuada anteriormente através do texto.

Desta forma dando sequência a uma publicação anterior  em que realizámos uma primeira abordagem sobre as problemáticas relacionadas com a época do frio, nomeadamente, as doenças relacionadas com a exposição ao frio e as medidas e cuidados a adoptar, nós estagiários do Curso de Saúde Ambiental com a colaboração dos vários elementos que integram a Unidade de Saúde Pública, concluímos o folheto informativo módulo FRIO, que posteriormente foi distribuído pelos vários pólos desta unidade que serve o concelho.

Este folheto contém informações úteis que ajudam a minimizar os efeitos negativos do frio intenso na saúde da população.

Folheto Informativo Modulo Frio




Na USP ainda no decorrer desta semana e na companhia da orientadora de estágio, cumprimos novamente o circuito dos pontos de colheitas de água, que estava agendado para o mês de Janeiro de 2012.

Foram realizadas colheitas de água para análise dos parâmetros bacteriológicos (P1), físico-químicos (P2) e (P3), incluindo alguns compostos químicos específicos, nomeadamente, Níquel, Chumbo e Cobre, referentes a águas para consumo humano (Abastecimento Público), colheitas de água para análise dos parâmetros bacteriológicos, físico-químicos referentes a água de piscinas (Uso Público) e colheitas de água para análise dos parâmetros bacteriológicos para águas destinadas a Hemodiálise.

Em ambas as colheitas, os parâmetros de campo, como o teor de cloro residual livre, temperatura e o pH foram determinados no local.  

Para relembrar…

            Na região onde se insere a USP foram criados três grupos de parâmetros, de forma a simplificar os processos. A divisão está representada da seguinte forma:

1º Nível – Grupo de Parâmetros – P1

2º Nível – Grupo de Parâmetros – P2

3º Nível – Grupo de Parâmetros – P3


Ø  1º Nível – Grupo de Parâmetros – P1
Bactérias coliformes, E.Coli, Enterococos, Condutividade, PH (a) e Desinfectante residual (a)
(a)      – A determinar no campo

Ø  2º Nível – Grupo de Parâmetros - P2

Colónias a 22 ºC, Clostridium, Nitratos, Oxidabilidade, Ferro, Alumínio, Colónias a 37º, Turvação, Amónio, Nitritos, Manganês e Flúor. 

Ø   3º Nível – Grupo de Parâmetros - P3

Cádmio, Cobre, Chumbo, Potássio, Trihalometanos, Crómio, Níquel, Sódio, Boro.

Sendo a água um bem essencial à vida é importante que esta adquira e mantenha as características que a possibilite ser consumida pelo ser humano nos diversos fins a que se destina, nesta medida os Técnicos de Saúde Ambiental que integram as várias Unidades de Saúde Pública têm um papel determinante na Vigilância da água nas suas diversas utilizações.



            A última actividade em que tive o privilégio de participar na Unidade de Saúde Pública, foi a reunião mensal dos Técnicos de Saúde Ambiental (TSA) que integram esta unidade.


Em que da reunião contou a seguinte ordem de trabalhos:

  1. Avaliação dos TSA;
  2. Planos de Férias;
  3. Formação Interna;
  4. Apresentação da Base de Dados da Legislação;
  5. Manuais de Boas Práticas em Estabelecimentos de Piercings e Tatuagens, Salões de Cabeleireiros e Gabinetes de Estética;
  6. Estabelecimentos a dar prioridade durante o mês de Fevereiro.

            Não é demais frisar novamente que estas reuniões são de extrema importância, pois permite a partilha de informação entre os profissionais da Unidade Saúde Pública e ao mesmo tempo também permite uniformizar a actuação de todos no distrito no que respeita às áreas da Saúde Ambiental.





            Para terminar e para que todos percebam de uma forma mais resumida as áreas em que intervimos nesta Unidade de Saúde Pública, deixo um pequeno esquema.





sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SEMANA DE 03 A 06 DE JANEIRO 2012


Aproveito desde já para desejar um Bom Ano novo a todos os seguidores do Blogue.

Depois de uma pequena pausa e findas as festas de Natal e Ano Novo, retomamos a nobre actividade da Saúde Ambiental, com o objectivo de continuar a promover a saúde e o bem-estar das comunidades.

            A ausência de controlo da higiene nos veículos de venda ambulante, da higiene pessoal dos vendedores ambulantes e dos meios de acondicionamento dos produtos alimentares, pode ser um importante vector de contaminação e proliferação de microrganismos, que poderão originar problemas de saúde para as populações que utilizam este tipo de pontos de venda.


            Com a minha colega, a orientadora de estágio, o delegado de saúde adjunto e a veterinária municipal, efectuamos várias vistorias a veículos destinados à venda ambulante (produtos alimentares, frutas, legumes, hortaliças, carnes, pão e produtos afins). O veículo destinado à venda de carne foi vistoriado com especial atenção, dada a perecidade deste tipo de produto.


            Todos os veículos destinados a venda ambulante cumpriam a maioria dos requisitos referentes às condições higio-sanitárias, impostos pela legislação que regulamenta esta actividade, nomeadamente:
  • Regulamento (CE)  nº 853/2004, de 29 de Abril.  Estabelece regras específicas de higiene aplicáveis aos géneros alimentícios de origem animal;
  • Regulamento (CE)  nº 852/2004, de 29 de Abril, estabelece as regras gerais destinadas aos operadores das empresas do sector alimentar no que se refere à higiene dos géneros alimentícios;
  • Decreto-Lei n.º 366/88 de 15 de Outubro, estabelece o Regulamento das condições higiénicas da venda de carne e seus produtos, em que se prevê a possibilidade de venda em feiras, mercados e venda ambulante.
  • Decreto-Lei 286/86 de 06 de Setembro, alterado pelo Decreto-Lei 275/87 de 04 de Julho, estabelece as condições higio-sanitárias do comércio do pão e produtos afins.
  • Decreto-Lei 122/79 de 08 de Maio, Regulamenta a venda ambulante;
  • Regulamento Municipal para venda ambulante, quando este existe.


   
            Embora as condições higio-sanitárias não sejam as piores, ainda assim encontrámos algumas anomalias, onde sugerimos aos responsáveis dos veículos que se propusessem a reduzi-las/elimina-las, de forma a melhorar a qualidade do serviço prestado e posteriormente ser emitido o certificado higio-sanitário.

Alguns exemplos das anomalias encontradas:

- Possibilidade de contaminação dos géneros alimentícios, através do acondicionamento de produtos alimentares juntamente com produtos de higiene e limpeza;
- O pavimento dos veículos encontrava-se revestido por cartão, não sendo material liso, lavável e impermeável;
- As estantes onde estão expostos os produtos não estavam revestidas por material liso, lavável e impermeável;
- Os equipamentos de refrigeração não se encontravam dotados de termómetros.


            O veículo de venda ambulante de carne encontrava-se em boas condições higio-sanitárias, cumprindo a legislação.

            A minha participação nesta actividade foi extremamente interessante, na medida em que ao longo do meu percurso académico esta temática não foi muito explorada.

            Permitindo desta forma obter conhecimentos que possibilitem sugerir medidas que ajudem a reorganizar estes pontos de venda que mesmo assim acabam por servir muitas pessoas, nomeadamente, pessoas idosas, que habitam zonas rurais.

            Dadas as características destas populações, existe défice de informação na área da segurança alimentar, sendo as vistorias realizadas a estes veículos de venda ambulante por estas entidades, essenciais para reduzir/eliminar os riscos para a saúde a que estas populações estão diariamente expostas.


             Na companhia da orientadora e da colega de estágio, do delegado de saúde adjunto, da veterinária municipal e da técnica de serviço social também pertencente ao município, deslocámo-nos à habitação de um particular na sequência de uma queixa de insalubridade.

            A queixa estava relacionada com a presença de um grande número de pombos, que se reproduzem com grande facilidade na habitação de um particular, em que dada a quantidade das aves, está a prejudicar a saúde e o bem-estar dos vizinhos, pois os pombos libertam os seus dejectos e penas por toda a área circundante á habitação.

            Depois de efectuada a vistoria ao local e conversa com o proprietário da habitação e das aves, ficou acordado que a Câmara Municipal irá proceder de imediato à captura dos pombos e limpeza do espaço, de modo a solucionar o problema.

            Gostava de salientar que o particular compreendeu a situação e os riscos que esta pode trazer para os seus vizinhos, colaborou com as várias entidades para resolver o problema, só não tinha tomado diligências, pois enfrenta graves problemas financeiros e de saúde.


AS PRAGAS DOS POMBOS

 

            Por ano, cerca de 80 a 90 pessoas contraem tuberculose aviária, por contacto com pombos urbanos. Estas aves que habitam nas cidades e outras áreas urbanas são um risco para a saúde humana e também animal. Em 2005, mais de cinco mil suínos de criação foram também contaminados com tuberculose pelos pombos urbanos.
            Um problema de saúde animal que levou a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) a pedir medidas de controlo da população destas aves a autarquias e empresas, então com bons resultados. "Houve uma intervenção muito séria, mas em 2006 começou a abrandar", explica Fernando Bernardo, da DGV. Assim, este ano, já há "indícios" de poder vir a aumentar o número de animais contaminados, admite o responsável, o que levanta "receios que dentro de um a dois anos, voltemos a ter o mesmo problema e que tenhamos de voltar a apelar à aplicação de medidas".
            O circuito de risco dos pombos para a saúde de outros animais está identificado: começa nos portos, onde é efectuada a descarga de cereais e leguminosas a usar depois na alimentação animal. Como os porões ficam abertos vários dias para descarga, os pombos abastecem-se frequentemente, entrando assim em contacto com os cereais. Em alguns casos, chegam a morrer nos porões e os cadáveres acabam por ficar misturados com os produtos e incorporados nas rações animais.
            Com os humanos, o problema está sobretudo na população fisicamente mais debilitada, como os sem-abrigo ou toxicodependentes, que dormem debaixo das arcadas de edifícios ou passam o dia à porta de igrejas - locais também muito procurados por pombos. Outros possíveis focos de contaminação de pessoas por doenças dos pombos, como a clamidiose, estão em repuxos de água que sejam partilhados.
            Os riscos dos pombos para a saúde, humana e animal, assim como para o património - já que as fezes destes animais são muito ácidas e, por isso, altamente corrosivas para os monumentos onde tendem a instalar-se as aves -, levaram já várias câmaras municipais a tomar medidas de controlo das po-pulações. Mas, explica Fernando Bernardo, " as autarquias têm uma sensibilidade muito variável e muitas acham que a gestão das populações de aves não é muito importante, até que são confrontadas com o problema" .Ler mais ...

           Fonte: Diário de Noticias



            Ainda durante esta semana de estágio, realizamos uma vistoria a um talho.
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   Esta vistoria teve como suporte a seguinte legislação específica:

  • Decreto-Lei nº 207/2008, de 23 de Outubro. Altera o Decreto -Lei n.º 147/2006, de 31 de Julho (Regulamento das Condições Higiénicas e Técnicas a Observar na Distribuição e Venda de Carnes e Seus Produtos).
  • Regulamento (CE)  nº 853/2004, de 29 de Abril.  Estabelece regras específicas de higiene aplicáveis aos géneros alimentícios de origem animal.
  • Regulamento (CE)  nº 852/2004, de 29 de Abril, estabelece as regras gerais destinadas aos operadores das empresas do sector alimentar no que se refere à higiene dos géneros alimentícios;
  • Decreto-Lei 243/86 de 20 de Agosto, estabelece o regulamento geral de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho nos estabelecimentos comerciais, escritórios e serviços.

            Este talho apresentava algumas anomalias, o que põe em causa o seu normal funcionamento a nível do cumprimento das condições higio-sanitárias.

            É de referir que grande parte das anomalias encontradas advém da falta de espaço das instalações, pois é um estabelecimento licenciado para esta actividade há bastantes anos, ou seja, regulado pela legislação anterior.

            Mas dadas as exigências da legislação actual para este tipo de estabelecimentos, este deveria perfazer determinadas condições que dentro da área disponível nas instalações é difícil, nomeadamente:

- Existência de instalações sanitárias para o pessoal;
- Existência de mais equipamentos de frio, de forma a não ocorrer contaminação entre os diversos tipos de carnes (aves, porco, vaca, etc);
- Existência de zona de desossa, separada da zona de expedição e venda, sem acesso ao público;
- Existência de um armário identificado para acondicionamento dos produtos e utensílios de higiene e limpeza;
- Existência de uma zona destinada a arquivo de documentação para que este não se encontre na zona de desossa, expedição e venda;
- A zona de desossa não deveria permitir o acesso ao público.

            Mais uma vez reforço que o responsável do talho tem toda a intenção de colocar o estabelecimento de acordo com a legislação, mas este está condicionado pela falta de espaço. Apesar de existir uma área descoberta anexa ao estabelecimento, esta não está disponível para construção, inviabilizando o processo de ampliação do talho e ao mesmo tempo impossibilitando que este possa funcionar dentro da lei que está em vigor.

            Esta experiência foi enriquecedora uma vez que deu para perceber que no país existem diversas situações que são semelhantes à deste estabelecimento. Percebemos os erros que foram cometidos no passado no que respeita às condições para licenciamento de estabelecimentos com estas características e o quanto estes põem em causa a saúde dos seus consumidores, uma vez que estes não deixam de ter as licenças para continuar a laborar, apesar de não cumprirem a legislação actual.



            Esta semana foi uma semana muito intensa a nível das actividades realizadas, terminando assim com uma vistoria para licenciamento a uma Mercearia.

Juntamente com a orientadora e a minha colega de estágio, o delegado de saúde adjunto, uma estagiária de medicina e a representante da Câmara Municipal (entidade licenciadora), efectuámos uma vistoria à Mercearia para que esta possa obter o licenciamento e começar a funcionar dentro da regularidade.


As questões relacionadas com a qualidade e a segurança alimentar adquiriram nos últimos anos uma importância acrescida, passando a fazer parte das preocupações dos consumidores. Para tal, muito contribuíram os diversos incidentes alimentares, relacionados com a contaminação dos alimentos com produtos químicos e microrganismos susceptíveis de prejudicar a saúde do consumidor.
A exigência de um elevado padrão de qualidade é cada vez mais uma realidade por parte dos consumidores, pelo que, só estarão apetrechadas para actuar e vingar no mercado os estabelecimentos que incorporarem na sua visão estratégica a meta da qualidade e satisfação dos consumidores.

Mercearias e minimercados são estabelecimentos comerciais de exposição e venda a retalho de produtos alimentares, embalados ou não, frescos ou processados, incluindo produtos hortícolas e frutícolas, produtos lácteos, produtos derivados da carne, pão e produtos afins (inclui produtos de pastelaria), ovos, gorduras alimentares, bebidas e produtos diversos de uso doméstico.
www.saudepublica.web.pt



Após a vistoria foram detectadas algumas anomalias quer a nível das instalações, quer a nível do desenvolvimento da actividade.

Alguns exemplos das anomalias encontradas:

  • Não existe cobertura a nível superior entre as áreas anexas (instalações sanitárias e zona de arrumos) e a mercearia;
  • Na instalação sanitária não existe: ventilação, balde revestido com saco de plástico e tampa accionada por pedal para os papéis, dispensador de papel e de sabonete líquido;
  • As lâmpadas do estabelecimento não têm protecção: não existe electrocutor de insectos à entrada da mercearia; falta o rótulo nalguns produtos alimentares (leguminosas); os produtos hortícolas que não são embalados não se encontram expostos na parte inferior das estantes;  
  • Falta identificar com placas todas as áreas do estabelecimento e o armário para utensílios e material de limpeza;
  • Não existe cacifo para o pessoal;
  • Não existe caixa de primeiros socorros;
  • Não existe documentação referente ao plano de HCCP.


Posso concluir que foi mais uma experiência bastante enriquecedora e que me ajudou a aprofundar os conhecimentos nesta área funcional do Técnico de Saúde Ambiental.